sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Coffea Arabica L. - Ficha Aromática e Usos!





O café é a semente do cafeeiro. Trata-se de uma pequena esfera verde, que quando atinge o estado maduro para a colheita, adquire um vermelho intenso. Cada fruto costuma possuir duas pequenas sementes semi esféricas com seus lados planos virados para si. O café é constituído majoritariamente de endosperma que contém altas quantidades de cafeína (0.8 - 2.5%), substância nomeada a partir da semente. 
A semente tem origem arábica e não foi utilizada amplamente para produzir bebidas até o século X, quando a bebida passou a se disseminar pelo oriente médio. A Europa não teve contato com a bebida em larga escala até o século XVII através do comércio no Mediterrâneo, com as cidades de Veneza e Marselha em destaque. No século XVIII cafeterias se disseminaram na Europa e o fruto ficou muito conhecido. Assim, o café assumiu também, um papel social.Com a evolução do valor da semente, o café foi levado a diversos continentes, incluindo o Brasil no século XVIII.

O óleo essencial de café é estimulante, poderoso antioxidante, ativador do metabolismo e tônico.  

Café verde x café torrado

Qual a diferença? A diferença é que o café verde não passa pelo processo de torrefação. É fato que, durante esse processo, ocorre a perda de parte de alguns compostos, no entanto, pesquisadores de Minas Gerais não encontraram uma diferença tão grande na quantidade de cafeína do café verde para o torrado: 1,61% de cafeína no grão verde  e 1,38% de cafeina no grão torrado escuro.

No café verde, a quantidade de antioxidantes chega a ser cinco vezes maior, mas tanto o café verde quanto o grão torrado contém 0,06% a 0,32% de caféina, teobromina, teofilina, taninos e flavonoides, e de 5% a até 14% de ácido clorogênico. Os compostos mais estudados no café são:

Cafeina: além de atuar como um termogênico natural, melhorando o metabolismo e favorecendo a perda de peso, também atua inibindo as adenosinas, que são as substâncias responsáveis por induzir o sono e, assim, promover um maior estado de atenção. Além disso, promove a oxidação de gorduras corporais e facilita a sua eliminação.

Ácido clorogênicopresente no café verde em concentração duas vezes maior do que a encontrada no café torrado, diminui a absorção de glicose a nível intestinal e participa no metabolismo dos açúcares inibindo a enzima glicose-6-fosfatase, que é responsável pela liberação de açúcares do fígado para a corrente sanguínea. Essa inibição mantém os níveis baixos de glicose e diminui o acúmulo de gordura, já que açúcar em excesso é transformado em gordura. Por sua ação no metabolismo da glicose o café verde também pode ser um coadjuvante no tratamento de pacientes diabéticos. O ácido clorogênico também parece agir no estado de humor das pessoas evitando a depressão, porém os mecanismos ainda não são claros. A ação antioxidante do ácido clorogênico atua no combate aos radicais livres, os vilões do envelhecimento, e protege contra as radiações ultravioleta.
Ficha técnica
Nome científico: Coffea arabica L. 
Família: Rubiaceae.
Sinônimos botânicos: só as variações. 
Outros nomes populares: cafeeiro, kaffee (alemão), café (espanhol, francês, português), coffee (inglês), caffè (italiano).
Constituintes químicos: alcalóides, inclusive os alcalóides purínicos ou xantinas (cafeína, paraxantina, teobromina, teofilina), ácidos orgânicos (ácido clorogênico, ácidos cafeico, metilúrico, vanílico, hidroxibenzoico, ferrúlico), flavonóides (caempferol, quercetol), diterpenos (cafestol, caveol), salicilatos (salicilato de metila), EDTA, ácido benzoico, derivados nicotínicos (trigonelina), óleos essenciais (ácido cinâmico, aldeído cinâmico), vitaminas (nicotinamida, ácido ascórbico, tiamina, riboflavina, caroteno), minerais (cálcio, fósforo, ferro).
Propriedades medicinais: analgésico, anti-hemorrágico, antidiarréico, antiespasmódico, antigripal, antiinflamatório, broncodilatador, cardiotônico, depurativo, desintoxicante, digestivo, diurético, estimulante, excitante, expectorante, hipoglicemiante, hipotensor, revigorante intelectual, sudorífero, tônico, vulnerário, protetor solar natural FPS 6.
Indicações: aumentar o metabolismo e a lipólise, asma, aumentar a secreção de ácido clorídrico, diabetes, baixar a glicose, bronquite, cansaço mental, cefaléias de resfriados, cólicas em geral, diarreia, dilatar os brônquios, estimulante do sistema nervoso, estimulante digestivo, fadiga, febre, pneumonia, vertigens.
Parte utilizada: sementes torradas.
Método de extração: prensagem a frio.

Contra-indicações/precauções: não deve ser utilizado por pessoas que sofrem de hipertensão, insônia, agitação psicomotora e taquicardia.


Usos e aplicações


Como estimulante físico e mental, use 1 gota de óleo essencial de café verde ou torrado no aromatizador pessoal (colarzinho) ou no difusor de ambientes. Se preferir, use grãos de café em um recipiente, coloque uma vela no centro e acenda. Em poucos minutos o ambiente estará aromatizado.


Para o tratamento dos cabelos e do couro cabeludo, pode-se usar o OE diluído em um óleo carreador. Os triacilgliceróis presentes no café estimulam a produção de ceramidas. Além disso, ainda possui compostos com ação estimulante do crescimento do folículo piloso, atuando na normalização da queda capilar e fator natural de proteção solar, protegendo as madeixas contra os raios nocivos. Sugestão de uso: em 5 ml de óleo vegetal de abacate ou jojoba, dilua 4 gotas de óleo essencial de café (verde ou torrado). Aplique em toda a extensão dos cabelos e no couro cabeludo, massageando bem. Deixe agir por 30 minutos, enxágue e lave normalmente.

No combate à celulite, a cafeína tem um papel muito importante. A cafeína é uma substância natural que juntamente com a teofilina e a teobromina formam a família das metilxantinas. A cafeína é um componente que estimula a lipólise, ou seja, a “quebra” da gordura acumulada. Apresenta um bom coeficiente de partição, o que lhe assegura uma boa penetração epidérmica graças a sua lipossolubilidade, e uma boa difusão dérmica devido a sua hidrossolubilidade. Resumindo: o creme que você aplica na pele, contendo cafeína, penetra mesmo! 
Quando se fala em celulite, o ideal é atacar em várias frentes: alimentação, exercícios físicos e tratamentos estéticos. Veja a seguir uma sugestão de creme anticelulite para você usar em casa:

88 g de creme base
5 ml de hidrolato
5 ml de óleo vegetal de amêndoas
18 gotas de OE de café
18 gotas de OE de cipreste
9 gotas de OE de mandarina verde
Use este creme duas vezes ao dia (de manhã e à noite), massageando a região afetada com movimentos circulares até total absorção. Se acompanhada de drenagem, ainda melhor! Outra sugestão é usar uma bucha vegetal durante o banho, também com movimentos circulares, para esfoliar e estimular a circulação. Importante: por conter mandarina, um óleo fotossensível, deve-se evitar exposição ao sol durante 8 horas após seu uso.

Em tratamentos faciais, use o OE de café em máscaras de argila. Seu poder antioxidante atua no combate aos radicais livres. Os triacigliceróis e ésteres diterpênicos presentes em sua composição estimulam a síntese de fibras dérmicas, resultando em um efeito regenerador, amenizando rugas e linhas finas. Também é estimulante da produção e síntese de colágeno e elastina, mantendo a pele mais firme. Por conter fator natural de proteção solar, atua potencializando o efeito do filtro solar. Sugestão de máscara:


1 colher (sopa) de argila negra
1 colher (chá) mel
3 gotas de seiva de sangue de dragão
2 gotas de OE de café torrado
Hidrolato de lavanda



Dilua o OE e a seiva no mel, acrescente a argila e por último o hidrolato, aos poucos, misturando bem até obter consistência pastosa. Aplique na pele e deixe agir por 20 minutos. Enxágue. Observação: para misturar os ingredientes, não utilize instrumentos de metal.



Espero que tenham gostado das dicas. Sugestões, críticas e opiniões são sempre bem-vindas. Lembrem-se também de verificar as contraindicações dos óleos essenciais e, em caso de dúvidas, consulte um aromaterapeuta credenciado!


Fonte: http://aromasvitais.blogspot.com.br/2014/05/coffea-arabica-l-ficha-aromatica-e-usos.html?view=flipcard
 
Referências:

Artigos científicos:
FARAH, Adriana; DONANGELO, Carmen C.- Compostos fenólicos em café. Disponível em:
ABRAHÃO, S.A; ALVARENGA, D.J.; DUARTE, S.M.S.; FERREIRA, E.B.; LIMA, A. R.; PEREIRA, G.F.A. Compostos bioativos e atividade antioxidante do café (Coffea arabica L.) Disponível em:

Sites: (todos acessados em 22/05/14)
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