segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ficha aromática: Sangue de Dragão (Croton lechleri)


A seiva vermelha do sangue de dragão (Croton lechleri)

Família botânica: Euphorbiaceae
Subfamília: Crotonoideae
Partes usadas: seiva, folhas, cascas, raízes, sementes. (No caso do óleo essencial, utiliza-se a seiva)
Componentes químicos: terpenos (principalmente diterpenos), óleos voláteis, alcaloides (taspina) e flavonoides. Entre os diterpenos podem ser destacados os clerodanos, traquilobanos, labdanos, cauranos, ésteres de forbol e uma nova classe de diterpenos, os sarcopetalanos. E ainda, monoterpenos (cineol e lanalol), sesquiterpenos (cariofileno), fenilpropanóides (eugenol e anetol), proantocinidinas e taninos (dimetilcedrusina).
Ações: cicatrizante, citofilático, antioxidante, antiviral, antibacteriano,antiinflamatório.
Origem: Peru, Equador, Colômbia e norte do Brasil (Amazônia). Outras espécies de Croton são encontradas na Índia, Indonésia, Ilhas Canárias, Argentina e Uruguai

Desde o século XVII, portugueses e espanhóis já conheciam, usavam e vendiam frascos com um precioso líquido vermelho que era utilizado em poções mágicas com poderes afrodisíacos e de proteção, além de misturas medicinais. Era a seiva da árvore Dracaena draco, trazida das Ilhas Canárias.
Na Índia e na Indonésia, a palmeira Daemonorops draco exsudava uma seiva similar. Na América do Sul, os índios também possuíam seu próprio Sangue de Dragão, da espécie Croton lechleri, na floresta amazônica. Atualmente, esta espécie é uma das mais fitoquimicamente pesquisadas.


Daemonorops draco - da Indonésia
Dracaena draco - das Ilhas Canárias










Croton lechleri - do Brasil


Propriedades do Sangue de Dragão
É um poderosíssimo cicatrizante, um dos mais fortes conhecidos, devido à presença de taspina e  dimetilcedrusina, que são eficientes tanto na cicatrização da pele quanto no fechamento de úlceras gástricas e duodenais. Os índios já utilizavam a seiva para curar ferimentos e estancar sangramentos. A seiva seca rapidamente, formando uma espécie de segunda pele e promove (de acordo com estudos) a formação de colágeno e a quimiotaxia de fibroblastos.
Em procedimentos estéticos e produtos cosméticos, por ser rico em antioxidantes  (polifenóis e proantocianinas), é utilizado para aumentar a síntese de colágeno (reduzindo a formação de rugas) e promovendo o rejuvenescimento da pele. Também é muito utilizado no tratamento da acne, devido ao seu poder antibacteriano e antiinflamatório.

Em tratamentos estéticos: máscaras de argila com o.e. de sangue de dragão
Experimentos mostraram que a seiva também é um excelente antibacteriano e antiviral, inibindo vários tipos de vírus, incluindo os da gripe, hepatite (A e B) e herpes simples. 
Em 1999, foi comprovada a ação do sangue de dragão sobre a bactéria causadora da gastrite e das úlceras de estômago (Helicobacter pylori). Também foi observado que a seiva de dragão é mais potente que a penicilina e o clorafenicol diante de algumas bactérias causadoras de infecções (E. coli, B. subtilis e S. aureus), além de combater a candidíase e os fungos micóticos.
Na Amazônia, as índias faziam banhos vaginais com seiva de dragão momentos antes do parto, visando a assepsia e posterior diminuição das dores e sangramentos.
Segundo o Dr. John Wallace, da Universidade de Calgary, no Canadá, "não existe na atualidade médica nenhuma substância que nós conhecemos que possua estas mesmas atividades". Ele se refere ao fato do sangue de dragão não somente prevenir a sensação de dor mas também bloquear a resposta do tecido a químicos liberados pelos nervos que promovem a inflamação.
Seiva de sangue de dragão seca 

Seiva de sangue de dragão exsudando













Em outros estudos, demonstrou-se  que o sangue de dragão:
* bloqueia topicamente a ativação das fibras nervosas que liberam sinais de dor para o cérebro, funcionando como um "assassino" da dor. Este efeito que dura até 6 horas, foi aplicado a partir de géis na concentração de 1-3% desta resina no tratamento e alívio de reumatismos, artrites, artroses, inflamação do nervo trigêmeo, fibromialgia, entre outras;
* apresentou alívio na picada de um número variado de insetos em apenas 90 segundos e também estendeu o efeito por 6 horas.
* mostrou a capacidade de inibir a proliferação de células leucêmicas e capacidade citostática frente a tumores KB e V-79.
O sangue de dragão também é utilizado na medicina veterinária, no tratamento de infecções cutâneas, verrugas, feridas, abcessos, otites, entre outras.

Indicações
Para ferimentos e queimaduras:
10 gotas de óleo essencial de sangue de dragão diluídos em 5ml de álcool de cereais
100ml de hidrolato de lavanda
Agite bem antes de usar e borrife nas áreas afetadas 2 a 3 vezes ao dia.

Para higiene íntima:
8 gotas de óleos essencial de sangue de dragão em 1/2 xícara de água e aplicar com algodão; ou para banho de assento,15 gotas em uma vasilha de água.

Pequenos ferimentos e aftas: 
pode ser aplicado puro em pequena quantidade.

Em cosméticos: 
pode ser usado em máscaras de argila ou em cremes/géis base na  concentração de 1-3%

Contraindicações
Na maioria das referências não se encontram contraindicações. Contudo, existem a citação de estudos realizados no Peru e na Alemanha onde se notou que o uso constante e prolongado do o.e. de sangue de dragão pode ocasionar anemia.

Referências:
LASZLO, Fabian. Sangue de dragão - o sangue cicatrizante da floresta.
Disponível em: 
http://www.laszlo.ind.br/campanhas/SANGUE_DE_DRAGAO_LASZLO.pdf [acesso em 13/04/2013]
MATOS, M.M. Liss. Química de espécies nativas de Croton L.(Euphorbiaceae).
Dissertação de mestrado. São Paulo. USP, 2011.
Disponível em: Biblioteca Digital USP [acesso em 13/04/2013]